Consolo na Praia
Vamos, não chores
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te - de vez - nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
sábado, março 08, 2008
Carlos Drummond
...
A CARTA
peço que evite transitar por onde meus olhos possam alcançá-lo
peço também que evite me dirigir a fala
ou qualquer tipo mais efusivo de cumprimento;
no máximo um levantar de sobrancelhas
se puder abaixe o tom de sua voz caso eu esteja próxima
peço ainda que não chame meu nome,
exceto em caso de incêndio
peço tudo isso humildemente, na verdade suplico
você não tem idéia da devastação
que provoca em meu espírito
as mínimas coisas que faz
de tal forma que nada mais é mínimo
parece calculado com exímia arte e perícia
cada seu movimento, cada gesto
você não sabe quantas horas preciso para ler três linhas no dia em que você sorri, e nem precisa ser pra mim
você não imagina os malabarismos que faço
para não ser notada e assim te seguir
pela janela do olhar escondida atrás de toneladas de paixão
ah! se você soubesse o tempo que fico imaginando você, sua voz, seu cheiro
seu andar, recompondo sua imagem de maneiras incontáveis
eu sei você de cór, mas todo dia você me surpreende
mas desejá-lo é um sonho
para despistar a dor invento-lhe defeitos
mudo sua imagem no fotoshop do meu coração
mas o original persiste e zomba de mim
de meus esforços para tentar
te esquecer em vão
então resolvi escrever-lhe esta carta
para pedir-lhe que pare, mas agora me dou conta: parar com o quê?
pois,ainda que você não fizesse nada
basta existir pra que eu me sinta completa,
completo não por tê-lo
mas somente por desejá-lo
você pode nunca vir a me amar
mas, eu sei que meu desejo,
meu sentimento, meu motivo de ser,
minha dor e meu remédio
minha manhã de sol e meus vendavais
meu nascer e minhas mortes
minha seca e meus rios
meu silêncio e minha canções
só existem por você ...
peço que evite transitar por onde meus olhos possam alcançá-lo
peço também que evite me dirigir a fala
ou qualquer tipo mais efusivo de cumprimento;
no máximo um levantar de sobrancelhas
se puder abaixe o tom de sua voz caso eu esteja próxima
peço ainda que não chame meu nome,
exceto em caso de incêndio
peço tudo isso humildemente, na verdade suplico
você não tem idéia da devastação
que provoca em meu espírito
as mínimas coisas que faz
de tal forma que nada mais é mínimo
parece calculado com exímia arte e perícia
cada seu movimento, cada gesto
você não sabe quantas horas preciso para ler três linhas no dia em que você sorri, e nem precisa ser pra mim
você não imagina os malabarismos que faço
para não ser notada e assim te seguir
pela janela do olhar escondida atrás de toneladas de paixão
ah! se você soubesse o tempo que fico imaginando você, sua voz, seu cheiro
seu andar, recompondo sua imagem de maneiras incontáveis
eu sei você de cór, mas todo dia você me surpreende
mas desejá-lo é um sonho
para despistar a dor invento-lhe defeitos
mudo sua imagem no fotoshop do meu coração
mas o original persiste e zomba de mim
de meus esforços para tentar
te esquecer em vão
então resolvi escrever-lhe esta carta
para pedir-lhe que pare, mas agora me dou conta: parar com o quê?
pois,ainda que você não fizesse nada
basta existir pra que eu me sinta completa,
completo não por tê-lo
mas somente por desejá-lo
você pode nunca vir a me amar
mas, eu sei que meu desejo,
meu sentimento, meu motivo de ser,
minha dor e meu remédio
minha manhã de sol e meus vendavais
meu nascer e minhas mortes
minha seca e meus rios
meu silêncio e minha canções
só existem por você ...
sexta-feira, março 07, 2008
Farewell
Farewell
1
Do fundo de ti, e ajoelhada,
Uma criança triste, como eu, nos olha.
Por essa vida que arderá nas suas veias
teriam que se amarrar as nossas vidas.
Por essas mãos, filhas das tuas mãos
teriam que matar as minhas mãos.
Pelos seus olhos abertos na terra
verei nos teus lágrimas um dia.
2
Eu não o quero, amado
Para que nada nos amarre,
que não nos una nada.
Nem a palavra que aromou da tua boca,
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto a janela.
3
(Amo o amor dos marinheiros
que beijam e vão-se embora.
Deixam uma promessa
Não voltam nunca mais.
Em cada porto uma mulher espera:
os marinheiros beijam e vão-se embora
Uma noite se deitam com a morte
no leito do mar)
4
Amo o amor que se reparte
Em beijos, leito e pão
Amor que pode ser eterno
e pode ser fugaz
Amor que quer se libertar
para tornar a amar.
Amor divinizado que se aproxima
Amor divinizado que se vai.
5
Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui tua, foste meu. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui tua, foste meu. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.
Pablo Neruda
1
Do fundo de ti, e ajoelhada,
Uma criança triste, como eu, nos olha.
Por essa vida que arderá nas suas veias
teriam que se amarrar as nossas vidas.
Por essas mãos, filhas das tuas mãos
teriam que matar as minhas mãos.
Pelos seus olhos abertos na terra
verei nos teus lágrimas um dia.
2
Eu não o quero, amado
Para que nada nos amarre,
que não nos una nada.
Nem a palavra que aromou da tua boca,
nem o que não disseram as palavras.
Nem a festa de amor que não tivemos
nem teus soluços junto a janela.
3
(Amo o amor dos marinheiros
que beijam e vão-se embora.
Deixam uma promessa
Não voltam nunca mais.
Em cada porto uma mulher espera:
os marinheiros beijam e vão-se embora
Uma noite se deitam com a morte
no leito do mar)
4
Amo o amor que se reparte
Em beijos, leito e pão
Amor que pode ser eterno
e pode ser fugaz
Amor que quer se libertar
para tornar a amar.
Amor divinizado que se aproxima
Amor divinizado que se vai.
5
Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui tua, foste meu. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui tua, foste meu. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.
Pablo Neruda
Pablo Neruda
"Para o meu coração basta o teu peito,
para que tu sejas livre bastam minhas asas.
Da minha boca chegará até o céu,
o que adormecido estava em tua alma."
para que tu sejas livre bastam minhas asas.
Da minha boca chegará até o céu,
o que adormecido estava em tua alma."
Pablo Neruda
SE VOCÊ ME ESQUECER
Quero que você saiba uma coisa
Você sabe como é:
Se eu olhar a lua de cristal, pelo galho vermelho
do lento outono em minha janela,
Se eu tocar, próximo ao fogo, a intocável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva a você,
como se tudo o que existe: perfumes, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
rumo às tuas ilhas que me esperam.
Bem, agora,
se pouco a pouco você deixar de me amar
eu deixarei de te amar, pouco a pouco.
Se, de repente, você me esquecer
não me procure
pois já terei te esquecido.
Se você considera longo e louco
o vento das bandeiras
que passa pela minha vida,
e decide me deixar na margem do coração em que tenho raízes,
lembre-se que neste dia, nesta hora,
levantarei meus braços
e minhas raízes sairão a buscar outra terra.
Mas
Se cada dia, cada hora,
você sentir que é destinado a mim
com implacável doçura,
se cada dia uma flor
escalar os teus lábios a me procurar,
ah meu amor, ah meu próprio eu,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem é esquecido
meu amor se nutre no seu amor, amado,
e enquanto você viver, estará você em seus braços,
sem deixar os meus.
Quero que você saiba uma coisa
Você sabe como é:
Se eu olhar a lua de cristal, pelo galho vermelho
do lento outono em minha janela,
Se eu tocar, próximo ao fogo, a intocável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva a você,
como se tudo o que existe: perfumes, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
rumo às tuas ilhas que me esperam.
Bem, agora,
se pouco a pouco você deixar de me amar
eu deixarei de te amar, pouco a pouco.
Se, de repente, você me esquecer
não me procure
pois já terei te esquecido.
Se você considera longo e louco
o vento das bandeiras
que passa pela minha vida,
e decide me deixar na margem do coração em que tenho raízes,
lembre-se que neste dia, nesta hora,
levantarei meus braços
e minhas raízes sairão a buscar outra terra.
Mas
Se cada dia, cada hora,
você sentir que é destinado a mim
com implacável doçura,
se cada dia uma flor
escalar os teus lábios a me procurar,
ah meu amor, ah meu próprio eu,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem é esquecido
meu amor se nutre no seu amor, amado,
e enquanto você viver, estará você em seus braços,
sem deixar os meus.
Pablo Neruda
Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
Já não se adoçará junto a ti a minha a dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
E para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
Uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
Daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.
Já não se adoçará junto a ti a minha a dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
E para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
Uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
Daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.
domingo, março 02, 2008
Fernando Pessoa
"Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes.
E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor a minha ideia de os achar belos.
Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos."
Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos."
Caio Fernando Abreu
"Todas as noites, um segundo antes de afundar, pensava — onde quer que você esteja, meu príncipe, em qualquer região da minha mente, no mínimo interstício, na fímbria do pensamento, frincha da memória, dobra da fantasia, faixa vibratória passada presente futura, aqui vou eu ao seu encontro, meu bem amado. E nada. "
( Ovelhas Negras > KÊN > Onírico)
( Ovelhas Negras > KÊN > Onírico)
Caio Fernando Abreu
"Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará."
Pálpebras de Neblina - Pequenas Epifanias.
Pálpebras de Neblina - Pequenas Epifanias.
Caio Fernando Abreu
"Ela não queria entrar noutra história, porque doía. Ele não queria entrar noutra história, porque doía. Ela tinha assumido seu destino de Mulher Totalmente Liberada Porém Profundamente Incompreendida E Aceitava A Solidão Inevitável. Ele estava absolutamente seguro de sua escolha de Homem Independente Que Não Necessita Mais Dessas Bobagens De Amor."
Mel e girassóis
Mel e girassóis
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