sexta-feira, outubro 10, 2008

Martha Medeiros

Quando conhecemos uma pessoa, construímos uma imagem. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, com as nossas expectativas e muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem q projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças.

Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real. Desconstruições. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos, pois é a hora de fazer charme.

Mas isso é no começo. Com o tempo, as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.

Quem se apaixonou por uma farsa, tem que desconstruí-la para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.

(M. M)

quinta-feira, outubro 02, 2008

caso por acaso eu morrer
não queira socorrer minha vida, como se eu fosse imortal
apenas deixe-me ir,
que eu quero sentir finalmente, paz.

caso por acaso eu me perder
não queira me encontrar
pois sei me esconder
e em nenhum lugar eu estarei

caso por acaso eu sinta saudade e pense em mandar sinal de vida
se por acaso isso acontecer
vou lembrar que todos estão melhor sem mim
e, não tem importância, tudo passa.

segunda-feira, setembro 29, 2008

reloading...

resolvi voltar a escrever. e pode até ser que eu traga algum texto escrito no meu antigo blog, pra relembrar alguma coisa... ou pra chocar pensamentos meus em diferentes épocas. Inconstância. Ou seja, eu.

Enfim... ontem tive uma longa reflexão quanto ao tempo, e esse texto me veio à mão:

Muitos de nós passam a vida procurando felicidade. Procurando um tesouro escondido. Correm de um lado para o outro esperando descobrir a chave da tal felicidade. Achamos que a vida seria tão diferente, se pelo menos fôssemos felizes. E, assim, uns fogem de casa para ser feliz. Outros fogem para casa em busca da felicidade. Uns se casam pensando em ser feliz. Outros se divorciam para ser felizes. Uns desejam viver sozinhos para ser felizes. Outros desejam possuir uma grande família a fim de ser feliz. Outros trabalham além do normal buscando a felicidade. Fazem horas extras tentando ter mais dinheiro pra conseguir a tal felicidade. É uma busca infinita. Anos desperdiçados. Nunca a lua está ao alcance da mão.

Mas, há uma forma melhor de viver! A partir do momento em que decidimos ser feliz, nossa busca da felicidade chego ao fim. É então que percebemos que a felicidade não está na riqueza material, na casa nova, no carro novo, naquela carreira, naquela
pessoa. E jamais poderá ser comprada. Quando não se consegue achar satisfação dentro de si mesmo, é inútil procurar em outra parte. Sempre que dependemos de fatores externos para ter alegria, estamos fadados à decepção. A felicidade não se encontra nas coisas exteriores, não consiste na satisfação com o que temos e com o que não temos. Poucas coisas são necessárias para fazer o homem sábio feliz, ao mesmo tempo em que nenhuma fortuna satisfaz a um inconformado.

Enquanto nós tivermos algo a fazer, alguém para amar, alguma coisa para esperar... seremos felizes. Tenhamos certeza: a única fonte de felicidade está dentro de nós, e
deve se repartida. Repartir nossas alegrias é como espalhar perfumes sobre os outros: sempre algumas gotas acabam caindo sobre nós mesmos. Se chover, seja feliz com a chuva que molha os campos, varre as ruas e limpa a atmosfera. Se fizer sol, aproveite o calor. Se houver flores em seu jardim, aproveite o perfume. Se tudo estiver seco, aproveite para colocar as mãos na terra, plantar sementes e aguardar a floração. Se tiver amigos, aproveite para bater um papo, troque idéias e seja feliz com a felicidade deles. Se não tiver, aproveite pra conquistar um bom amigo... Faça tudo sem se preocupar em procurar, deixe que a felicidade te encontre.




Mais um dia. Ou menos um dia?
Seja como for, hoje é dia de tentar ser feliz.

quinta-feira, setembro 25, 2008

A lenda dos Sioux

LENDA DOS SIOUX

Conta uma lenda dos índios sioux que, certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:

- Nós nos amamos e vamos nos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta que ficaremos sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?

E o velho, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

- Há o que possa ser feito, ainda que sejam tarefas muito difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva!

Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão. No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves. O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.

- E agora, o que faremos? Os jovens perguntaram.

- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres. Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros.

A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do vôo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se machucar.

Então o velho disse: - Jamais esqueçam do que estão vendo, esse é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados.

Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas. Essa é uma verdade no casamento e também nas relações familiares, de amizade e profissionais. Respeite o direito das pessoas de voar rumo ao sonho delas. A lição principal é saber que somente livres as pessoas são capazes de amar!!!

terça-feira, setembro 23, 2008

infinitamente pessoal

Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto.

domingo, setembro 21, 2008

Clarice Lispector

Eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta! Eu não choro: se for preciso um dia eu grito! Estou em plena luta e não desisto! Eu já poderia ter você com meu corpo e minha alma. Esperarei nem que sejam anos que você também tenha corpo-alma para amar. Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira! Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós: Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende por que não queremos passar por tolos. Temos construídos catedrais e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos são armadilhas. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível! Temos chamado de franqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro acima de tudo. Mas eu escapei disso com ferocidade e esperarei até você também estar mais pronto.

O Mundo é um Moinho:

"Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, vida
Embora eu saiba que estás resolvido
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Preste atenção, vida
Ouça-me bem, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos rodeado por pessoas tão mesquinhas
Vai reduzir as ilusões e esperanças a pó
Preste atenção, vida
De cada amor tu herdarás apenas o cinismo
Quando notares que estás à beira do abismo
...abismo que cavastes com teus pés"

*AS BORBOLETAS*

Quero amarte e não me deixas,
quero ensinarte e não me permites,
quero que vivas em meu coração e me dizes que não.
Chego a ti e não me recebes, me aproximo,
e constróis barreiras que nos separam.

Que queres que faça,
se do único que entendo é de Amor e compreensão?
Que queres que fale,
se do único que conheço é a união e a plenitude?
Que queres de Mim
se o único que tenho para oferecerte é a Paz?

Tu me precisas mais que Eu a ti,
Mas Eu sofro mais que tu
quando te afastas e
não me deixas quererte.

Porque somos irmãos,
porque somos amores,
porque somos corações,
que vivem no infinito,
perfeitamente unidos e estreitamente separados.

sábado, setembro 20, 2008

A UM AUSENTE

"Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.


Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.

Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
por que o fizeste,

por que te foste?"

recado dado!

“Um dia, quando você se achar muito importante!
Um dia, quando seu ego estiver no apogeu!
Um dia, quando você tiver plena certeza de que " não há ninguém melhor que você ".
Um dia, quando você achar que sua partida deixará um vazio impreenchível, siga estas instruções bem simples.

Pegue um balde e encha-o de água até a boca.
Coloque a mão dentro, até o fundo.
Tire a mão e o buraco que ali permanecer terá o tamanho da falta que você fará neste mundo.

Talvez, você transmita alegria quando chega.
Talvez agite a água em profusão.
Mas, pare, e em pouco tempo verá que tudo ficou como então.

A intenção deste estranho exemplo é você fazer sempre o melhor possível, e sentir orgulho de si mesmo. Mas lembre-se: Não existe nenhum homem insubstituível."

(autor desconhecido)