''Eu queria odiar você, falei: ‘Por que veio? Por quê?´. Eu desejava tua companhia. Passava das onze; fui até a porta com ele e saí na noite fria. ‘Venha cá’, ele me disse, ‘Preciso falar uma coisa bem baixinho: Gosto de você, mas não muito. Não quero gostar muito de ninguém’. Então levei um choque e revidei: ‘Eu gosto muito das pessoas ou as detesto. Tenho que ir até o fim, fundo, mergulhar, conhecê-las de verdade!’. Ele foi claro: ‘Ninguém me conhece!’. Então acabou, ponto final. Naquela noite foi duro dormir.''
sexta-feira, novembro 21, 2008
sexta-feira, novembro 14, 2008
Afoguei de vez qualquer vontade de fingir ou mentir ainda outro dia destes - quando ouvi alguém já de certa idade falando que a vida não tem sentido e que cobrar da vida suas conquistas ou chances, depende de onde você se encontra perambulando, era um erro deslavado. Que a vida nunca garantiu e prometeu nada a ninguém. “Não cobre nada”, dizia ele.
Honestamente, não foi difícil enxergar a partir desta idéia que não há o mínimo e mais fodido sentido em viver se não for pra viver ainda mais, se não for pra deixar as cobranças, esperanças e as preocupações todas afogadas em movimento - em bruto movimento.
Em outras palavras, ele dizia que toda memória, experiência e imaginação que passam pela sua carne não ganham sentido do lado de fora. Elas são o próprio sentido! Poderia ter dito de maneira sonora algo como, sabe-se lá, "destino é uma palavra que aparece de dentro dos seus gestos". Mas fez melhor, uma dura: "Não cobre nada da vida".
Isso também me ajudou na decisão de deixar a minha vida ir embora.
"Pense que é por ele - e faça por você." - dizem os colegas e os amigos.
O problema é não saber e não conseguir separar o que sou eu e o que é ele - quando tudo que há em mim é dele e por ele.
E ontem, ao ser indagada o por que de estar gravado "vida" ao invés do nome no meu celular - não soube o que dizer e e na verdade, ainda não sei. Sei bem o que todo mundo sabe e o que todo mundo vê: fiz dele a minha vida. Eu respirava, lutava, sonhava, suportava, ansiava, planejava, sorria, aguardava e levantava todos os dias porque ele era a minha vida. E agora, carrego-me morta pelas ruas e não é difícil perceber que a "vida" ( no duplo sentido) se perdeu - restando-me agora a dor e a confusão de nada mais entender.
(deveria encarar as sombras e renascer novamente?)
Vejo sim que estava fechando-me em meu desespero em tentar acertar e o que fazia, provavelmente, já não tinha mais nada de meu - tudo era dele. Tinha dúvidas tanto de um lado como de outro. Deveria procurar forças para continuar na luta ou esquecer o mundo (terrível meta que vez por outra impunha como saída)? Sensatamente, eu diria nem tanto ao céu, nem tanto à Terra – em outras palavras, sou ótima para dar conselhos - mas extremamente emocional e nada razoável ao tratar dos meus sentimentos.
Sei que estou voltando a minha antiga maneira de lidar com as coisas - isolando-me de tudo e de todos. E a quem culpar? Penso em culpar o precário mundo em que vivemos - cheio valores errados ou mesmo inexistentes- a falta de educação social ou a quem deu-me o sorriso para tirar logo após (e isso recentemente surge na minha cabeça com frequência...)
Sei bem que procuro ainda meus modelos para viver – tenho medo da minha própria e extraordinária capacidade de dar às costas para o mundo (e esquecer que o que espero dos outros é esperado, também, de mim). Preocupa-me não fazer parte na mesma medida em que preocupa-me fazer parte. Essa coisa de modelo, parte e todo sugere-me, novamente, a precária educação social e a falta de valores que temos... Aqui posso mencionar que – concluí isso apenas depois de algum tempo – independente do que eu trago comigo, penso oferecer (sempre os outros - chego a ter a sensação de uma vaga na altura do estômago) o que faço sobre o que trago comigo... confuso?
Sim, confuso. Porque aqui nada restou além da confusão... A que nível de estupidez eu própria preciso chegar para conseguir viver uma história? Se há uma coisa que me deixa louca, é isso: colocar-me ao lado (ou no lugar) de um idiota apenas para ter a certeza de que é um idiota. Um dia deixo de desconfiar dessa minha intuição...
Depois de tanta filosofia em plena sexta feira, fica a poesia:
"Eu
Eu penso sozinha
Eu discordo
Para chegar ao imenso avanço até aonde não sei mais nada ali sobre mim
Mas já ouvi alguma assim
Com um pouco de sem sentido esse isso é, com certeza, um pouco meu
Sou eu
E dá vontade de olhar para você e dizer uma coisa, de verdade, sublime
Uma como: - O sublime custa caro"
Honestamente, não foi difícil enxergar a partir desta idéia que não há o mínimo e mais fodido sentido em viver se não for pra viver ainda mais, se não for pra deixar as cobranças, esperanças e as preocupações todas afogadas em movimento - em bruto movimento.
Em outras palavras, ele dizia que toda memória, experiência e imaginação que passam pela sua carne não ganham sentido do lado de fora. Elas são o próprio sentido! Poderia ter dito de maneira sonora algo como, sabe-se lá, "destino é uma palavra que aparece de dentro dos seus gestos". Mas fez melhor, uma dura: "Não cobre nada da vida".
Isso também me ajudou na decisão de deixar a minha vida ir embora.
"Pense que é por ele - e faça por você." - dizem os colegas e os amigos.
O problema é não saber e não conseguir separar o que sou eu e o que é ele - quando tudo que há em mim é dele e por ele.
E ontem, ao ser indagada o por que de estar gravado "vida" ao invés do nome no meu celular - não soube o que dizer e e na verdade, ainda não sei. Sei bem o que todo mundo sabe e o que todo mundo vê: fiz dele a minha vida. Eu respirava, lutava, sonhava, suportava, ansiava, planejava, sorria, aguardava e levantava todos os dias porque ele era a minha vida. E agora, carrego-me morta pelas ruas e não é difícil perceber que a "vida" ( no duplo sentido) se perdeu - restando-me agora a dor e a confusão de nada mais entender.
(deveria encarar as sombras e renascer novamente?)
Vejo sim que estava fechando-me em meu desespero em tentar acertar e o que fazia, provavelmente, já não tinha mais nada de meu - tudo era dele. Tinha dúvidas tanto de um lado como de outro. Deveria procurar forças para continuar na luta ou esquecer o mundo (terrível meta que vez por outra impunha como saída)? Sensatamente, eu diria nem tanto ao céu, nem tanto à Terra – em outras palavras, sou ótima para dar conselhos - mas extremamente emocional e nada razoável ao tratar dos meus sentimentos.
Sei que estou voltando a minha antiga maneira de lidar com as coisas - isolando-me de tudo e de todos. E a quem culpar? Penso em culpar o precário mundo em que vivemos - cheio valores errados ou mesmo inexistentes- a falta de educação social ou a quem deu-me o sorriso para tirar logo após (e isso recentemente surge na minha cabeça com frequência...)
Sei bem que procuro ainda meus modelos para viver – tenho medo da minha própria e extraordinária capacidade de dar às costas para o mundo (e esquecer que o que espero dos outros é esperado, também, de mim). Preocupa-me não fazer parte na mesma medida em que preocupa-me fazer parte. Essa coisa de modelo, parte e todo sugere-me, novamente, a precária educação social e a falta de valores que temos... Aqui posso mencionar que – concluí isso apenas depois de algum tempo – independente do que eu trago comigo, penso oferecer (sempre os outros - chego a ter a sensação de uma vaga na altura do estômago) o que faço sobre o que trago comigo... confuso?
Sim, confuso. Porque aqui nada restou além da confusão... A que nível de estupidez eu própria preciso chegar para conseguir viver uma história? Se há uma coisa que me deixa louca, é isso: colocar-me ao lado (ou no lugar) de um idiota apenas para ter a certeza de que é um idiota. Um dia deixo de desconfiar dessa minha intuição...
Depois de tanta filosofia em plena sexta feira, fica a poesia:
"Eu
Eu penso sozinha
Eu discordo
Para chegar ao imenso avanço até aonde não sei mais nada ali sobre mim
Mas já ouvi alguma assim
Com um pouco de sem sentido esse isso é, com certeza, um pouco meu
Sou eu
E dá vontade de olhar para você e dizer uma coisa, de verdade, sublime
Uma como: - O sublime custa caro"
segunda-feira, novembro 10, 2008
mario quintana
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!
katherine mansfield
... Contudo, sem ser mórbida e mexendo nas lembranças, devo confessar que vejo nisto alguma coisa de triste na vida. Não me refiro à tristeza que todos nós conhecemos, como a doença, a pobreza e a morte. Não, é algo diferente. É lá no fundo, bem no fundo, faz parte da gente, como a respiração. Por mais que trabalhe, por mais que me canse, basta parar para sentir que essa coisa está lá, esperando. Muitas vezes eu me pergunto se todo mundo sente do mesmo jeito. Nunca se pode saber. Mas não é extraordinário que dentro de seu canto alegre, doce, tudo o que eu ouvia era: tristeza? ah, o que é isto?
Alcoolicas
Se um dia te afastares de mim, Vida
Porque algumas intensidades têm a parecença da bebida —
Bebe por mim paixão e turbulência, caminha
Onde houver uvas e papoulas negras (inventa-as)
Recorda-me, Vida: passeia meu casaco, deita-te
Com aquele que sem mim há de sentir um prolongado vazio.
Empresta-lhe meu coturno e meu casaco rosso:
Compreenderá o porquê de buscar conhecimento
na embriaguês da via manifesta.
Pervaga. Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica:
O êxtase de te deitares contigo. Beba.
Estilhaça a tua própria medida.
Porque algumas intensidades têm a parecença da bebida —
Bebe por mim paixão e turbulência, caminha
Onde houver uvas e papoulas negras (inventa-as)
Recorda-me, Vida: passeia meu casaco, deita-te
Com aquele que sem mim há de sentir um prolongado vazio.
Empresta-lhe meu coturno e meu casaco rosso:
Compreenderá o porquê de buscar conhecimento
na embriaguês da via manifesta.
Pervaga. Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica:
O êxtase de te deitares contigo. Beba.
Estilhaça a tua própria medida.
Esquecimento
Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tateio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era eu meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos...!
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tateio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era eu meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos...!
[Vinicius de Moraes / Paulo Mendes Campos]
Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.
[Lya Luft]
Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,
busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora:
esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor,
a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,
busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora:
esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor,
a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.
[Arthur da Távola]
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com, nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.
É o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com, nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.
lya luft
“Agora é recostar-se para trás e traçar projetos de liberdade: uma viagem, um novo curso, os livros para ler, as dores para esquecer, os amigos a encontrar. Mexer nas minhas plantas. Abrir as persianas e vibrar porque a manhã está deslumbrante (….)
E, atenção: isso acontece a qualquer instante - se ainda não estivermos empalhados. Aos poucos esse novo sopro de ar, que pode ser um projeto, um trabalho, uma viagem, uma amizade nova ou um amor, vai-se delineando melhor. Sua voz é clara e chama o nosso nome. Talvez a gente nem compreenda ainda, mas a sorte - que prepara as armadilhas boas e ruins onde fatalmente cairemos porque estamos vivos - sorri acenando com a nossa nova amante: a vida. O futuro pousa outra vez na nossa mão.”
E, atenção: isso acontece a qualquer instante - se ainda não estivermos empalhados. Aos poucos esse novo sopro de ar, que pode ser um projeto, um trabalho, uma viagem, uma amizade nova ou um amor, vai-se delineando melhor. Sua voz é clara e chama o nosso nome. Talvez a gente nem compreenda ainda, mas a sorte - que prepara as armadilhas boas e ruins onde fatalmente cairemos porque estamos vivos - sorri acenando com a nossa nova amante: a vida. O futuro pousa outra vez na nossa mão.”
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